sábado, 10 de março de 2012

Chet Baker em fundo

Tão bela, tão fresca, tão solta, os seus cabelos curtos, de ébano, os olhos verdes, as calças que vestia, de cabedal, justas, o rosto perfeito que parecia ter um efeito hipnotizador sobre mim, e não consigo desviar os olhos um segundo sequer daquela aparição que parecia vir do céu ou do inferno, mas já nada me importava, nem o scotch nem a musica de Chet, e todo o ambiente cristalizara, sendo apenas nós numa imensa sala subitamente vazia, de repente emudecida, como se o tempo tivesse cristalizado e ela por fim repara em mim e esboça um sorriso trocista, inclina a cabeça para um e depois para o outro lado, ao som da música que me martelava as têmporas e parecia vir do fundo dos tempos.
E saímos num instante para a praia com uma garrafa de Royal Chalice, doce, rico, forte, como as luzes da cidade que deixámos para trás, e olhávamos agora os olhos um do outro, num desafio, tentando perceber os mistérios da noite e do amor.

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