"Se tudo correr mal amanhã..."
...A alegria é como uma borboleta
qu esvoaça baixinho sobre os campos
mas a dor é como um pássaro
de grandes asas negras e robustas
que nos transporta acima da vida
que existe lá em baixo ao sol por entre a verdura.
E esse pássaro voa alto,
até onde os anjos da dor estão de vigília
sobre o leito da morte...Se eu morrer amanhã e o fio de prata se estragar, as pérolas hão-de saltar e deslizar até ao fundo do mar em busca da madre pérola.
Se eu desaparecer amanhã, irá lá alguém à procura das minhas pérolas?
Quem saberá que me pertenceram?
Quem saberá que, um dia, o mundo esteve pendurado à volta do meu pescoço?
Os anjos jamais se magoam.
E isso deve-se ao facto de não terem um corpo de carne e osso de que a sua alma se possa separar. Com a Natureza é diferente: tudo se estraga com facilidade.
Mesmo uma montanha sofre a erosão lenta das forças da Natureza, acabando por transformar-se em terra e areia.
Tudo o que existe na Natureza é como uma combustão lenta.
Toda a obra da criação parece de alguma forma borbulhar musgo.
Mas tudo isto é natural.
Como conceber a Vida sem a Morte?
Como poderia alguém reconhecer o Bem, se o Mal não existisse?
Entenderei isto como apenas mais uma viagem.
Contudo, nem sempre entendemos o que criamos.
Poderia desenhar ou pintar algo no papel.
Mas isso não significa que percebo como é ser o que lá está.
O que eu desenho ou escrevo é inanimado.
E esta é que é a parte mais estranha: eu sinto-me um ser inanimado!
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