segunda-feira, 12 de março de 2012

A Espécie Humana

Há algum tempo vi não sei onde a fotografia de uma execução em tempo de guerra.
Três homens pálidos, de estatura mediana, sem nada de especial que lhes distinguisse as feições (a máquina apanhou-os de perfil) estavam alinhados à beira de uma vala acabada de abrir. Tinham ar de homens do campo.
Mesmo atrás de cada um deles estava um soldado, de pistola em punho (os executores). Entrevia-se ao longe mais um grupo de soldados: os espectadores.

Deve ter sido no princípio do Inverno ou no fim do Outono, porque os soldados envergavam os seus casacões. Os condenados estavam também todos três vestidos da mesma maneira.
Traziam bonés de pano e grossos casacos pretos por cima das camisolas interiores: o uniforme das vítimas. Como se tudo o mais não bastasse, tinham frio. Era em parte por causa disso que enterravam a cabeça nos ombros.
Vão morrer daqui a um segundo: o fotógrafo disparou a máquina no instante anterior àquele em que os soldados carregavam no gatilho.
Os três rapazes da aldeia enterravam a cabeça nos ombros e semicerravam os ombros como as crianças fazem na expectativa da dor. Contavam ser feridos, talvez gravemente; aguardavam (tão perto dos seus ouvidos), o estrondo ensurdecedor de um tiro. E semicerravam os olhos.

O que os esperava era a morte, e não a dor; porém nem os seus corpos nem as suas mentes conseguiam fazer a distinção…….

É tão limitado o reportório das reacções humanas!

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