O que eu sofri para arranjar aquele célebre livrinho de capa preta, minúsculo no tamanho, mas com um título enorme: "Do Latim ao Português e a língua como expressão literária".
Na altura só havia uma ou duas livrarias em Faro dignas desse nome, a Silva e a Académica (salvo erro ou omissão), mas o professor Inocentes Afonso insistia na aquisição.
O Latim, que se aprendia na disciplina de Português era mesmo assim, sujeito a declinações e outras complicações
Os casos nominativo, genitivo, dativo, acusativo e ablativo eram categorias a que pertenciam formas com distintas funções na frase, e essa função sintáctica aflorava numa terminação (desinência de caso) específica:
Nominativo: caso da função sintáctica de sujeito
Genitivo: caso possessivo e de outras relações entre formas nominais
Dativo: caso do complemento indirecto
Acusativo: caso do complemento directo
Consigo escrever isto pois estou copiando da Wikipédia, pois nunca consegui muito bem distingui-los.
Creio que terá até sido por isso que o Império Romano caiu várias vezes.
Tudo isto a propósito do nosso colega IVO, de quem nada sei, em tanto tempo (pode ser que apareça), louro e de olhos azuis, facilmente confundido com um nórdico.
Pois numa aula de Português, caiu-lhe em sorte ter que identificar aqueles célebres casos.
Professor Inocentes, com o seu ar pesado mas inocente:- Em que caso está a palavra "nomini" na frase exposta?
Responde o IVO - Ivo, Senhor Doutor.
Prof. Inocentes - Disseste ablativo, meu filho?
IVO- Sim, Senhor Doutor.
Prof. Inocentes -Muito bem.
Prof. Inocentes - E a palavra "homini", no segundo parágrafo do 4º capítulo, em que caso está?
IVO - Ivo, Senhor Doutor.
Prof. Inocentes - Disseste dativo, meu filho?
IVO- Sim, Senhor Doutor
Prof. Inocentes -Muito bem (esboçando um largo sorriso) Pois meu filho, vais ter um sinal menos (-) na caderneta, pois eu posso ver mal, mas não sou surdo.
IVO cora e toda a turma ri.
Sem comentários:
Enviar um comentário