Hoje chove copiosamente.
Com o tempo habituamo-nos a tudo; até a este clima que nos entra pelos ossos e neles deixa uma sensação permanente e pegajosa.
Deito café numa chávena, meia colher de açúcar,mexo e espero que amorne. Já nem me aborreço com o facto de a manteiga estar congelada, como sempre, como se fosse um tijolo amarelo embrulhado em celofane.
Afinal apenas repito a cerimónia de todas as manhãs, desde que para aqui vim para salvar o corpo (e aparentemente condenar a alma).
Acendo um cigarro para acompanhar o café quase frio, e abro o jornal (sempre é útil aprender algumas línguas estrangeiras).
Acabo de beber o café, deixo a chávena no tabuleiro e calço os sapatos.
Com o tempo habituamo-nos a tudo; até a este clima que nos entra pelos ossos e neles deixa uma sensação permanente e pegajosa.
Deito café numa chávena, meia colher de açúcar,mexo e espero que amorne. Já nem me aborreço com o facto de a manteiga estar congelada, como sempre, como se fosse um tijolo amarelo embrulhado em celofane.
Afinal apenas repito a cerimónia de todas as manhãs, desde que para aqui vim para salvar o corpo (e aparentemente condenar a alma).
Acendo um cigarro para acompanhar o café quase frio, e abro o jornal (sempre é útil aprender algumas línguas estrangeiras).
Acabo de beber o café, deixo a chávena no tabuleiro e calço os sapatos.
Aproximo-me da janela, olho para a rua, como que a ganhar coragem para sair, olho com uma espécie de carinho para o meu casaco novo, e decido que são horas do passeio matinal.
Em cima da mesa de apoio estão as chaves do apartamento, as cartas de encorajamento dos amigos de sempre, a carta semanal para a minha mãe.
Decido que ainda tenho tempo para uma outra chávena de café. e para outro cigarro (comecei a fumar).
Volto a olhar para o "e-mail" recebido ontem com o insistente convite ao regresso às latitudes
de que tenho saudades. As palavras meigas e desinteressadas ficam a bailar-me na cabeça.
Descalço os sapatos e olho de novo pela janela para a rua.Pareceu-me que havia menos gente que de costume, apenas as crianças da escola ali perto , que brincavam (como todas as crianças).
Continua a chover copiosamente.
Continuo na luta interior entre a necessidade de sair (porque me esperam), e a vontade de ficar.
Decido esperar um pouco mais.
Sento-me.
Abro o meu portátil e escrevo numa espécie de diário:
19 de Outubro de 2003, 65º dia de exílio , Järvenpää
Decido que ainda tenho tempo para uma outra chávena de café. e para outro cigarro (comecei a fumar).
Volto a olhar para o "e-mail" recebido ontem com o insistente convite ao regresso às latitudes
de que tenho saudades. As palavras meigas e desinteressadas ficam a bailar-me na cabeça.
Descalço os sapatos e olho de novo pela janela para a rua.Pareceu-me que havia menos gente que de costume, apenas as crianças da escola ali perto , que brincavam (como todas as crianças).
Continua a chover copiosamente.
Continuo na luta interior entre a necessidade de sair (porque me esperam), e a vontade de ficar.
Decido esperar um pouco mais.
Sento-me.
Abro o meu portátil e escrevo numa espécie de diário:
19 de Outubro de 2003, 65º dia de exílio , Järvenpää
Como sempre, chove copiosamente.....
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