terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Segunda vida do Ditador - 2º Capítulo

O doutor Octávio Mesquita era o chefe da Casa Civil da Presidência da República. Estava nessa função desde o início do segundo mandato presidencial. Era ainda um jovem político, na casa dos trinta anos, mas já com uma assinalável folha de serviços prestados ao partido enquanto líder dos jovens sociais-democratas. Conhecia bem o aparelho e também a forma de o contornar. A política estava-lhe no sangue pelos genes paternos e foi sem qualquer dificuldade ou hesitação que decidiu integrar a maçonaria quando ainda era estudante universitário. O seu nome surgira durante um encontro semanal do Presidente do partido de governo com o mais alto magistrado da nação. 
O convite surpreendeu-o num pequeno período de férias que gozava no Algarve. A princípio ficou aborrecido pois contava ser considerado ministeriável aquando da futura remodelação governamental. Esboçou a birra institucional em sede própria, mas os barões e o primeiro-ministro acabaram por convencê-lo de que aquela seria a jogada política mais acertada na conjuntura que atravessavam.
“De facto sempre fui bom a espiar e a condicionar” - reconheceu na altura, e o seu ego ficou apaziguado. Desconfiou da argumentação, é certo, mas reconsiderou.
- Há muitos cães para cada vez menos ossos - lembrou-lhe a esposa, sempre boa conselheira.
Reconheceu mérito na observação da cara-metade, e como era um otimista, rapidamente vislumbrou uma oportunidade única naquela nomeação inesperada.
- Problema, oportunidade - decidiu, enquanto emborcava de um trago o scotch de vinte cinco anos que um conhecido empresário lhe tinha oferecido no Natal.
Estava atrás de uma janela no interior da estufa de inverno que a primeira-dama mandara construir em lugar estratégico no imenso jardim do palácio. Observava através de uma enorme parede envidraçada o que se passava alguns metros adiante.
O Presidente, envergando um avental com as cores nacionais, ia explicando a uma dúzia de alunos do colégio alemão e respectiva Professora, a técnica mais correta para plantar um arbusto exótica naquele ambiente, enquanto enunciava os nomes em latim de todas as árvores que ali cresciam de uma forma exuberante.
Como sempre sucedia em situações semelhantes, o Presidente estava solto e desinibido. Até parecia que tinha nascido para aquilo. Sorria, esbracejava e até conseguia gracejar, contando as histórias do costume. Nada que se comparasse à postura rígida que assumia quando tinha que se pronunciar sobre um tema delicado ou dirigir-se à nação em momento de solenidade.
Octávio tremia cada vez que o Presidente tinha que se dirigir ao país pelas televisões. Não tinha muita vocação para rever os textos que os consultores produziam, mas era o processo criativo que o preocupava particularmente. Havia uma reunião preparatória, na sala azul, em que o Presidente apresentava o tópico do comunicado aos seis consultores literários, quatro rapazes e duas raparigas que ele mesmo entrevistara e contratara. Teria preferido que todos eles fossem profissionais da escrita de reconhecida capacidade, mas havia que dar prioridade a certos pedidos que era impossível ignorar. Em suma, não confiava muito na capacidade daqueles jovens licenciados que fora obrigado a admitir, e por isso conseguiu convencer o mais alto magistrado da nação a contratar uma empresa de revisão literária para dar a pedra de toque aos comunicados oficiais. Ficava mais descansado.
O Presidente tinha sido bem explícito aquando do seu primeiro encontro:
- Meu caro Octávio, neste segundo mandado não quero cansar-me muito. A idade vai pesando e quero apenas levar até ao fim esta minha missão patriótica de representar este povo. Por vezes pergunto-me se ele merece o meu sacrifício e o da minha mulher.
Os seis consultores tinham setenta e duas horas para produzir um texto que o chefe da Casa Civil deveria ler em voz alta para que se constatassem alguns erros de forma ou conteúdo. Era a fase crítica pois no fundo seria ele a decidir aquilo que o povo iria ouvir pela voz presidencial. Isso comovia-o, levando-o por vezes às lágrimas no silêncio do seu gabinete, na ala norte do palácio. O processo terminava com um ensaio televisivo efetivado por uma empresa publicitária especialmente contratada para o efeito.
- É caro mas vale a pena - disse-lhe o Presidente uma vez - pelo menos ficamos com a garantia de que tudo corre bem, com a dignidade que o momento requere.
Octávio coçou o nariz com o indicador direito, sinal de que tinha terminado a visita ao passado, e focou-se no momento. Voltou a concentrar-se naquilo que conseguia observar lá ao fundo, no jardim, no sector das árvores tropicais. A cena era idêntica a tantas outras que já testemunhara, mas tinha o sortilégio de sempre o surpreender. Como aquele filme de culto que visualizamos vezes sem fim sempre com o mesmo entusiasmo.
O Presidente estava acompanhado por um engenheiro florestal italiano recentemente contratado como consultor paisagista, e por dois jardineiros que lhe indicavam a melhor maneira de utilizar a pá. Eram estes dois funcionários do palácio os únicos que trabalhavam, na verdadeira aceção do termo. Também eram os únicos que envergavam fato de trabalho. O Presidente e o engenheiro envergavam fato de gala, preparados para o almoço que a presidência ofereceria aos alunos e à Professora do Colégio Alemão.
“Talvez caia bem junto da Senhora Merkel” - confidenciara-lhe o Presidente quando ele lhe transmitiu o pedido daquele prestigiado estabelecimento de ensino.
- Há certas pessoas que precisavam de uma boa pazada - gracejou, e a pequenada riu muito. Educadamente, a um tom, sem exageros. Tudo muito protocolar, perante o ar de autoridade sem autoritarismo da jovem Professora.
A criançada parecia gostar e escutava ordeiramente e com toda a atenção as explicações do primeiro magistrado da nação.
- Se as nossas crianças fossem assim - disse o Presidente olhando distraidamente para o vazio - talvez um dia pudéssemos ter o sucesso do povo alemão.
A Professora anuiu e o engenheiro sorriu luminosamente, fazendo um gesto intraduzível com os dois braços, num movimento largo. Parecia mais interessado na Professora, jovem e atraente, do que no processo de plantação.
Entretanto José Soares subia a rampa de acesso à Casa Civil. Com um ar preocupado. Tinha que pensar bem naquilo que iria dizer ao doutor Octávio. Detestava aquele seu ar de superioridade, aquele sorriso permanente de quem se julga mais esperto que todos. Mas tinha que ignorar isso. Abandonar o ego. E quem sabe? Talvez aquela estranha visita viesse agitar as águas, fosse uma espécie de pedrada no charco, um sinal do além. Não podia era cair no ridículo ou passar por lunático. A aproximação ao assunto tinha que ser feita com diplomacia e nisso ele era bom. Para sobreviver naquele mundo tinha que ser especialista na arte de falar sem se comprometer.
- O Senhor Doutor está na estufa de inverno a dar assistência ao senhor Presidente - diz o secretário do Chefe da Casa Civil, em surdina, mas denotando alguma irritação - Não pode ser incomodado.
- Mas olhe Dr. Godinho, que o assunto é extremamente importante - insiste o coronel José Soares, o que leva o secretário a esboçar um trejeito de irritação, que logo substitui por um rasgado sorriso, enquanto diz:
- Espere só um momento, por favor. E qual é a urgência?
- Uma visita de Estado inesperada - diz o coronel, algo atrapalhado, mas logo se arrependeu da frase.
O secretário franze a testa surpreendido com o facto. Ia dizer qualquer coisa mas hesitou e depois encaminhou-se na direcção da enorme porta em madeira dourada, com um passo ritmado. A porta fechou-se e o coronel respirou fundo. Aquela sala era uma autêntica antecâmara da morte. Paredes lisas e vazias, sem qualquer quadro ou cadeira. Desconfortável ao máximo. Feita de propósito para ser evitada.
Godinho regressou passados alguns minutos. Tinha de novo aquele semblante neutro que tanto poderia significar tristeza ou alegria, violência ou calma, interesse ou afastamento. Voltara ao normal e foi com aquele tom monocórdico habitual, que lhe disse:
- O senhor doutor Octávio Mesquita vai recebê-lo agora.
José Soares agradeceu e encaminhou-se para a porta dourada. Parecia aliviado por poder abandonar a antecâmara. Inverteram-se os papéis. Agora era o coronel que saia enquanto o secretário o observava com aparente indiferença.
- Bom dia coronel Soares - diz Octávio Mesquita, sem se voltar. Ouviu seguramente os passos do militar no soalho e talvez tivesse visto o seu reflexo na vidraça.
- Bom dia senhor doutor. Surgiu um assunto inesperado que urge resolver.
- Coronel - dia Mesquita com um ar ironicamente sério - não há nada mais importante neste momento do que aquela lição de natureza que o senhor Presidente está a dar aos alunos do colégio alemão.
- Acho que era do seu interesse acompanhar-me à rampa do portão sul.
- Mas de que visita de Estado se trata? Não há nada na minha agenda.
José Soares ia responder, mas Octávio Mesquita volta-se subitamente, algo preocupado:
- Seria uma falha imperdoável se eu me tivesse esquecido de alguma receção importante, não acha?
Os dois homens eram praticamente da mesma altura e estavam agora a pouca distância um do outro. Não nutriam grande amizade um pelo outro. O militar via no político um oportunista e o político via no militar uma ameaça.
- Acho que está ali o Ditador - disse por fim.
- Quem?
- O Ditador.                                  
- Qual deles? - ironiza.
- O Presidente do Conselho. O Professor.
Octávio Mesquita ficou alguns segundos a olhar para o outro com uma cara aparvalhada. Depois colocou a mão direita na testa, olhou para o relógio de pulso, de seguida afastou-se na direcção da vidraça. Talvez estivesse a sonhar, andava cansado ultimamente. Desenvolvera a técnica de voltar atrás no tempo pelo simples facto de regressar à posição inicial. Aprendeu a técnica num daqueles livros da moda que ensinavam a encontrar o espaço interior. Geralmente resultava. Fazia isso quando uma conversa não lhe agradava, ou não tinha uma resposta adequada. Voltando ao início ganhava tempo e tinha a esperança que nada daquilo tivesse existido. Olhou para o exterior durante alguns segundos. Lá estava o Presidente a escavar um buraco com as estudantes à volta.
“Parece feliz” - pensou.
Voltou-se de seguida, com um movimento brusco. Afinal o chefe da segurança ainda ali estava. Que chatice. Afinal aquele diálogo tinha mesmo acontecido.
“Se calhar não me esforcei o suficiente para encontrar o meu Ser” - decidiu.
Afastou-se da vidraça e com um discreto aceno de cabeça, convidou José Soares a acompanhá-lo até uma zona interior da estufa, de onde não podiam ver nem serem vistos. Estava verdadeiramente incomodado com aquela interrupção.
- Você só pode estar a brincar, coronel. Anda a ver fantasmas e isso não é compatível com as funções que desempenha.
- Acredito que isto lhe pareça uma loucura. Eu próprio fiquei surpreendido e é por isso que vim falar consigo. Imagine que se trata de alguma manobra política por parte da oposição.
- Parece que está mesmo a falar a sério. Onde é que está esse indivíduo?
- Ainda está no táxi, mas já no interior do palácio.
- Pode ver-se do lado de dentro?
- Sim, doutor. Tive o cuidado de mandar o carro estacionar bem perto da janela norte da ala da portaria.
Octávio Mesquita segue a passo apressado na direcção da porta que dava acesso ao corredor da portaria. José Soares tem alguma dificuldade em segui-lo de perto e quase corre.
- Mais alguém está a par disto?
- Só o tenente Miguel Maia, o taxista e talvez o guarda de serviço no portão exterior.
- O taxista é de confiança?
- Parece que é ucraniano mas é inofensivo.
- Nunca fiando, coronel, nunca fiando. E há que ter muito cuidado com os ucranianos. Não se esqueça do conflito latente com os russos.
- Onde é que está o táxi? - pergunta Octávio, espreitando pela janela.
- Mudaram-no para o lado da sombra. Está ali mais à direita - diz Soares depois de olhar através da janela - O tenente Maia está com eles.
O Chefe da casa Civil espreita pela janela, depois olha com alguma preocupação para o coronel e volta a concentrar-se no banco traseiro da viatura. Volta a olhar para José Soares segurando com a mão esquerda no cortinado, mantendo a boca aberta. Estava lívido.
- Macacos me mordam. Parece mesmo o Ditador.
Octávio caminha de um para o outro lado da sala, afagando o queixo com o indicador e polegar direitos. O coronel estava perfilado esperando instruções, e no seu íntimo sentia uma inexplicável satisfação. Talvez algo estivesse para acontecer. Não sentia grande simpatia por aqueles rapazinhos, como lhes chamava, aqueles boys que olhavam para os militares como se fossem cães amestrados a quem atiravam uns ossos de vez em quando para que os defendessem quando fosse necessário. Tomaram de assalto o poder, que distribuíam entre si sem pudor algum, com absoluto desprezo pelo sofrimento das pessoas.
- Vou ter de avisar o Presidente - diz finalmente Octávio Mesquita - Fazemos assim, coronel. Encaminhe o visitante para o gabinete das visitas sociais inesperadas, e diga ao meu secretário o que se passa. Ele que não o perca de vista.
- Com certeza, doutor.
- Não. Ele que fique sozinho. É melhor assim - reconsiderou Mesquita, com o indicador no ar e os olhos cravados no soalho. Era a sua posição preferida quando raciocinava sob pressão - E nem uma palavra a ninguém. Já há muita gente a par da ocorrência. Imagine se as televisões sabem deste furo. 
- E que faço com o taxista?
- Mande-o embora mas dê-lhe a entender que os seus comentários poderão ter consequências. Entende? Entretanto mande o SEF investigá-lo. Pode ser que esteja ilegal.
- Entendido, doutor.
Os dois homens separaram-se. José Soares dirigiu-se para o exterior. O sol brilhava intensamente e começava a aquecer depois de um inverno extraordinariamente rigoroso. Octávio Mesquita caminhava devagar em direcção à estufa. Tinha que pensar bem na estratégia a seguir. Essencialmente deveria concentrar-se na sua posição. Não podia de forma alguma cometer qualquer deslize que o descredibilizasse perante o Presidente. O segredo residia na maneira como daria a notícia. Olhou para o relógio. Onze e meia. A visita das alunas da escola alemã estava quase a terminar, mas era conhecido que o Professor se entusiasmava com aquela cena da agricultura e perdia a noção do tempo. Talvez se tivesse perdido um excelente agricultor. E em vez disso surgiu um político de qualidade duvidosa. Tentou afastar esses pensamentos perigosos. Os livros que andava a ler sobre autoconhecimento traiam-no em alturas críticas. Mas a verdade é que todos aqueles que se tornam naquilo que não são ficam sempre a perder. Esperou um pouco mais. Talvez não fosse bom interromper aquela autêntica aula sobre a melhor forma de plantar uma árvore contra o vento.
Olhou de novo para o relógio. O Presidente tinha uma agenda apertada naquela quinta-feira. O almoço seria servido perto da uma, depois havia o repouso de meia hora na sala azul, ouvindo Bach. A primeira-dama não estava, felizmente. Tudo se complicava quando ela se intrometia na agenda oficial. Fora ao Algarve passar dois dias na casa de praia que acabara de ser entregue.
“Mesmo a tempo da visita da princesa do Mónaco, no início do verão” - dissera, quando recebeu a confirmação do construtor.
Às quinze horas chegava o novo embaixador do Burundi para apresentar cumprimentos e credenciais e pelas dezassete chegava o primeiro-ministro para a reunião semanal. Não se podia esquecer de lhe dar uma palavrinha. Recordar-lhe a promessa feita de o guindar a uma posição de relevo na hierarquia partidária. Era evidente que o primeiro-ministro apostara tudo na Europa durante a sua legislatura, não se importando de ficar queimado no país. A mensagem era simples: quem vier atrás que feche a porta. Passaria uns anos como dirigente algures na Europa, em Bruxelas onde poderia seguir as pisadas do Presidente da Comissão. Passaria então a defender os ideais de progresso, seria uma voz portuguesa no mundo civilizado, e com sorte, passado o tempo necessário para atingir a moralidade, surgiria como candidato natural a Belém.
“A memória de facto é muito curta e tudo pode ser desmentido” - pensou, imaginando-se já na pele de futuro primeiro-ministro.
O movimento no exterior libertou-o dessas cogitações e devolveu-o à realidade. Saiu da estufa e com o seu melhor sorriso dirigiu-se para o exterior. Cumprimentou efusivamente a elegante Professora alemã, a quem depositou dois beijos pouco protocolares, cumprimentou o engenheiro italiano com movimentos amplos de mãos tão ao gosto transalpino e por fim deu os parabéns reverenciais ao Presidente, que não cabia em si de contente. Limpava as mãos a um pano perfumado que um dos jardineiros lhe entregou e foi com um largo sorriso nos lábios que expressou o que lhe ia na alma. Via-se que gostava daqueles encontros na natureza. Já o seu semblante se fechava nas reuniões políticas e nas receções protocolares.
- Sabe como é, Mesquita. Quando se tem o bichinho da terra no corpo…
- Muito mais agradável que estar fechado num gabinete - atreveu-se Octávio.
- Nem me fale nisso meu rapaz. Se quer um conselho, nunca se meta nisto.
As despedidas foram feitas já no interior da estufa, onde uma secretária presidencial oferecia aos jovens visitantes e à sua Professora uma lembrança presidencial.
Um último adeus, ainda com o sorriso protocolar, e por fim ficaram sós.
- Que temos agora, Octávio? - pergunta o Presidente, ainda com um vago sorriso estampado no rosto.
- Uma visita inesperada, senhor Professor.
- Sabe bem que detesto surpresas, Mesquita. O programa tem que ser previamente aprovado, como sabe.
- Permito-me aconselhá-lo a abrir uma exceção, senhor Presidente. Com o devido respeito.
- E quem é essa visita surpresa? Algum familiar, presumo, a pedir algum favor.
- Não, senhor Presidente. Pedia-lhe que verificasse por si mesmo. Está na sala das visitas sociais inesperadas, com o doutor Godinho.
O Presidente olha para o relógio de pulso e decide que ainda tem alguns minutos. Precisava de se refrescar, passar a água pelo rosto, voltar a pentear-se.
- Que falta que a minha mulher faz aqui. Mandava-a receber essa visita em meu lugar. É para isso que serve a primeira-dama - graceja.
Depois recompõe-se e coloca a máscara de primeiro magistrado. O Presidente abandonara definitivamente o papel do camponês e assumira a postura do homem de estado que nunca se engana e raramente tem dúvidas.
- Acha mesmo que devo perder tempo? Olhe que fica à sua responsabilidade, doutor Mesquita.

- Sinto que devo correr esse risco, senhor Presidente.

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