O doutor Octávio
Mesquita era o chefe da Casa Civil da Presidência da República. Estava nessa
função desde o início do segundo mandato presidencial. Era ainda um jovem
político, na casa dos trinta anos, mas já com uma assinalável folha de serviços
prestados ao partido enquanto líder dos jovens sociais-democratas. Conhecia bem
o aparelho e também a forma de o contornar. A política estava-lhe no sangue
pelos genes paternos e foi sem qualquer dificuldade ou hesitação que decidiu
integrar a maçonaria quando ainda era estudante universitário. O seu nome
surgira durante um encontro semanal do Presidente do partido de governo com o
mais alto magistrado da nação.
O convite surpreendeu-o num pequeno período de
férias que gozava no Algarve. A princípio ficou aborrecido pois contava ser
considerado ministeriável aquando da futura remodelação governamental. Esboçou
a birra institucional em sede própria, mas os barões e o primeiro-ministro
acabaram por convencê-lo de que aquela seria a jogada política mais acertada na
conjuntura que atravessavam.
“De facto sempre fui bom a espiar e a condicionar” -
reconheceu na altura, e o seu ego ficou apaziguado. Desconfiou da argumentação,
é certo, mas reconsiderou.
- Há muitos cães para cada vez menos ossos - lembrou-lhe a
esposa, sempre boa conselheira.
Reconheceu mérito na observação da cara-metade, e como era
um otimista, rapidamente vislumbrou uma oportunidade única naquela nomeação
inesperada.
- Problema, oportunidade - decidiu, enquanto emborcava de um
trago o scotch de vinte cinco anos que um conhecido empresário lhe tinha
oferecido no Natal.
Estava atrás de uma janela no interior da estufa de inverno
que a primeira-dama mandara construir em lugar estratégico no imenso jardim do
palácio. Observava através de uma enorme parede envidraçada o que se passava
alguns metros adiante.
O Presidente, envergando um avental com as cores nacionais,
ia explicando a uma dúzia de alunos do colégio alemão e respectiva Professora,
a técnica mais correta para plantar um arbusto exótica naquele ambiente,
enquanto enunciava os nomes em latim de todas as árvores que ali cresciam de
uma forma exuberante.
Como sempre sucedia em situações semelhantes, o Presidente
estava solto e desinibido. Até parecia que tinha nascido para aquilo. Sorria,
esbracejava e até conseguia gracejar, contando as histórias do costume. Nada
que se comparasse à postura rígida que assumia quando tinha que se pronunciar sobre
um tema delicado ou dirigir-se à nação em momento de solenidade.
Octávio tremia cada vez que o Presidente tinha que se
dirigir ao país pelas televisões. Não tinha muita vocação para rever os textos
que os consultores produziam, mas era o processo criativo que o preocupava
particularmente. Havia uma reunião preparatória, na sala azul, em que o Presidente
apresentava o tópico do comunicado aos seis consultores literários, quatro
rapazes e duas raparigas que ele mesmo entrevistara e contratara. Teria
preferido que todos eles fossem profissionais da escrita de reconhecida
capacidade, mas havia que dar prioridade a certos pedidos que era impossível
ignorar. Em suma, não confiava muito na capacidade daqueles jovens licenciados
que fora obrigado a admitir, e por isso conseguiu convencer o mais alto
magistrado da nação a contratar uma empresa de revisão literária para dar a
pedra de toque aos comunicados oficiais. Ficava mais descansado.
O Presidente tinha sido bem explícito aquando do seu
primeiro encontro:
- Meu caro Octávio, neste segundo mandado não quero cansar-me
muito. A idade vai pesando e quero apenas levar até ao fim esta minha missão
patriótica de representar este povo. Por vezes pergunto-me se ele merece o meu
sacrifício e o da minha mulher.
Os seis consultores tinham setenta e duas horas para
produzir um texto que o chefe da Casa Civil deveria ler em voz alta para que se
constatassem alguns erros de forma ou conteúdo. Era a fase crítica pois no
fundo seria ele a decidir aquilo que o povo iria ouvir pela voz presidencial.
Isso comovia-o, levando-o por vezes às lágrimas no silêncio do seu gabinete, na
ala norte do palácio. O processo terminava com um ensaio televisivo efetivado
por uma empresa publicitária especialmente contratada para o efeito.
- É caro mas vale a pena - disse-lhe o Presidente uma vez -
pelo menos ficamos com a garantia de que tudo corre bem, com a dignidade que o
momento requere.
Octávio coçou o nariz com o indicador direito, sinal de que
tinha terminado a visita ao passado, e focou-se no momento. Voltou a
concentrar-se naquilo que conseguia observar lá ao fundo, no jardim, no sector
das árvores tropicais. A cena era idêntica a tantas outras que já testemunhara,
mas tinha o sortilégio de sempre o surpreender. Como aquele filme de culto que
visualizamos vezes sem fim sempre com o mesmo entusiasmo.
O Presidente estava acompanhado por um engenheiro florestal
italiano recentemente contratado como consultor paisagista, e por dois
jardineiros que lhe indicavam a melhor maneira de utilizar a pá. Eram estes
dois funcionários do palácio os únicos que trabalhavam, na verdadeira aceção do
termo. Também eram os únicos que envergavam fato de trabalho. O Presidente e o
engenheiro envergavam fato de gala, preparados para o almoço que a presidência
ofereceria aos alunos e à Professora do Colégio Alemão.
“Talvez caia bem junto da Senhora Merkel” -
confidenciara-lhe o Presidente quando ele lhe transmitiu o pedido daquele
prestigiado estabelecimento de ensino.
- Há certas pessoas que precisavam de uma boa pazada -
gracejou, e a pequenada riu muito. Educadamente, a um tom, sem exageros. Tudo
muito protocolar, perante o ar de autoridade sem autoritarismo da jovem Professora.
A criançada parecia gostar e escutava ordeiramente e com
toda a atenção as explicações do primeiro magistrado da nação.
- Se as nossas crianças fossem assim - disse o Presidente olhando
distraidamente para o vazio - talvez um dia pudéssemos ter o sucesso do povo
alemão.
A Professora anuiu e o engenheiro sorriu luminosamente,
fazendo um gesto intraduzível com os dois braços, num movimento largo. Parecia
mais interessado na Professora, jovem e atraente, do que no processo de
plantação.
Entretanto José Soares subia a rampa de acesso à Casa Civil.
Com um ar preocupado. Tinha que pensar bem naquilo que iria dizer ao doutor
Octávio. Detestava aquele seu ar de superioridade, aquele sorriso permanente de
quem se julga mais esperto que todos. Mas tinha que ignorar isso. Abandonar o
ego. E quem sabe? Talvez aquela estranha visita viesse agitar as águas, fosse
uma espécie de pedrada no charco, um sinal do além. Não podia era cair no
ridículo ou passar por lunático. A aproximação ao assunto tinha que ser feita
com diplomacia e nisso ele era bom. Para sobreviver naquele mundo tinha que ser
especialista na arte de falar sem se comprometer.
- O Senhor Doutor está na estufa de inverno a dar
assistência ao senhor Presidente - diz o secretário do Chefe da Casa Civil, em
surdina, mas denotando alguma irritação - Não pode ser incomodado.
- Mas olhe Dr. Godinho, que o assunto é extremamente
importante - insiste o coronel José Soares, o que leva o secretário a esboçar
um trejeito de irritação, que logo substitui por um rasgado sorriso, enquanto diz:
- Espere só um momento, por favor. E qual é a urgência?
- Uma visita de Estado inesperada - diz o coronel, algo
atrapalhado, mas logo se arrependeu da frase.
O secretário franze a testa surpreendido com o facto. Ia
dizer qualquer coisa mas hesitou e depois encaminhou-se na direcção da enorme
porta em madeira dourada, com um passo ritmado. A porta fechou-se e o coronel
respirou fundo. Aquela sala era uma autêntica antecâmara da morte. Paredes
lisas e vazias, sem qualquer quadro ou cadeira. Desconfortável ao máximo. Feita
de propósito para ser evitada.
Godinho regressou passados alguns minutos. Tinha de novo
aquele semblante neutro que tanto poderia significar tristeza ou alegria, violência
ou calma, interesse ou afastamento. Voltara ao normal e foi com aquele tom monocórdico
habitual, que lhe disse:
- O senhor doutor Octávio Mesquita vai recebê-lo agora.
José Soares agradeceu e encaminhou-se para a porta dourada.
Parecia aliviado por poder abandonar a antecâmara. Inverteram-se os papéis.
Agora era o coronel que saia enquanto o secretário o observava com aparente
indiferença.
- Bom dia coronel Soares - diz Octávio Mesquita, sem se
voltar. Ouviu seguramente os passos do militar no soalho e talvez tivesse visto
o seu reflexo na vidraça.
- Bom dia senhor doutor. Surgiu um assunto inesperado que
urge resolver.
- Coronel - dia Mesquita com um ar ironicamente sério - não
há nada mais importante neste momento do que aquela lição de natureza que o
senhor Presidente está a dar aos alunos do colégio alemão.
- Acho que era do seu interesse acompanhar-me à rampa do
portão sul.
- Mas de que visita de Estado se trata? Não há nada na minha
agenda.
José Soares ia responder, mas Octávio Mesquita volta-se
subitamente, algo preocupado:
- Seria uma falha imperdoável se eu me tivesse esquecido de
alguma receção importante, não acha?
Os dois homens eram praticamente da mesma altura e estavam
agora a pouca distância um do outro. Não nutriam grande amizade um pelo outro.
O militar via no político um oportunista e o político via no militar uma ameaça.
- Acho que está ali o Ditador - disse por fim.
- Quem?
- O Ditador.
- Qual deles? - ironiza.
- O Presidente do Conselho. O Professor.
Octávio Mesquita ficou alguns segundos a olhar para o outro
com uma cara aparvalhada. Depois colocou a mão direita na testa, olhou para o
relógio de pulso, de seguida afastou-se na direcção da vidraça. Talvez
estivesse a sonhar, andava cansado ultimamente. Desenvolvera a técnica de
voltar atrás no tempo pelo simples facto de regressar à posição inicial. Aprendeu
a técnica num daqueles livros da moda que ensinavam a encontrar o espaço
interior. Geralmente resultava. Fazia isso quando uma conversa não lhe agradava,
ou não tinha uma resposta adequada. Voltando ao início ganhava tempo e tinha a
esperança que nada daquilo tivesse existido. Olhou para o exterior durante
alguns segundos. Lá estava o Presidente a escavar um buraco com as estudantes à
volta.
“Parece feliz” - pensou.
Voltou-se de seguida, com um movimento brusco. Afinal o
chefe da segurança ainda ali estava. Que chatice. Afinal aquele diálogo tinha mesmo
acontecido.
“Se calhar não me esforcei o suficiente para encontrar o meu
Ser” - decidiu.
Afastou-se da vidraça e com um discreto aceno de cabeça, convidou
José Soares a acompanhá-lo até uma zona interior da estufa, de onde não podiam
ver nem serem vistos. Estava verdadeiramente incomodado com aquela interrupção.
- Você só pode estar a brincar, coronel. Anda a ver
fantasmas e isso não é compatível com as funções que desempenha.
- Acredito que isto lhe pareça uma loucura. Eu próprio
fiquei surpreendido e é por isso que vim falar consigo. Imagine que se trata de
alguma manobra política por parte da oposição.
- Parece que está mesmo a falar a sério. Onde é que está
esse indivíduo?
- Ainda está no táxi, mas já no interior do palácio.
- Pode ver-se do lado de dentro?
- Sim, doutor. Tive o cuidado de mandar o carro estacionar
bem perto da janela norte da ala da portaria.
Octávio Mesquita segue a passo apressado na direcção da
porta que dava acesso ao corredor da portaria. José Soares tem alguma
dificuldade em segui-lo de perto e quase corre.
- Mais alguém está a par disto?
- Só o tenente Miguel Maia, o taxista e talvez o guarda de
serviço no portão exterior.
- O taxista é de confiança?
- Parece que é ucraniano mas é inofensivo.
- Nunca fiando, coronel, nunca fiando. E há que ter muito
cuidado com os ucranianos. Não se esqueça do conflito latente com os russos.
- Onde é que está o táxi? - pergunta Octávio, espreitando
pela janela.
- Mudaram-no para o lado da sombra. Está ali mais à direita
- diz Soares depois de olhar através da janela - O tenente Maia está com eles.
O Chefe da casa Civil espreita pela janela, depois olha com
alguma preocupação para o coronel e volta a concentrar-se no banco traseiro da
viatura. Volta a olhar para José Soares segurando com a mão esquerda no
cortinado, mantendo a boca aberta. Estava lívido.
- Macacos me mordam. Parece mesmo o Ditador.
Octávio caminha de um para o outro lado da sala, afagando o
queixo com o indicador e polegar direitos. O coronel estava perfilado esperando
instruções, e no seu íntimo sentia uma inexplicável satisfação. Talvez algo
estivesse para acontecer. Não sentia grande simpatia por aqueles rapazinhos,
como lhes chamava, aqueles boys que olhavam para os militares como se fossem
cães amestrados a quem atiravam uns ossos de vez em quando para que os
defendessem quando fosse necessário. Tomaram de assalto o poder, que
distribuíam entre si sem pudor algum, com absoluto desprezo pelo sofrimento das
pessoas.
- Vou ter de avisar o Presidente - diz finalmente Octávio
Mesquita - Fazemos assim, coronel. Encaminhe o visitante para o gabinete das
visitas sociais inesperadas, e diga ao meu secretário o que se passa. Ele que
não o perca de vista.
- Com certeza, doutor.
- Não. Ele que fique sozinho. É melhor assim - reconsiderou
Mesquita, com o indicador no ar e os olhos cravados no soalho. Era a sua
posição preferida quando raciocinava sob pressão - E nem uma palavra a ninguém.
Já há muita gente a par da ocorrência. Imagine se as televisões sabem deste
furo.
- E que faço com o taxista?
- Mande-o embora mas dê-lhe a entender que os seus
comentários poderão ter consequências. Entende? Entretanto mande o SEF
investigá-lo. Pode ser que esteja ilegal.
- Entendido, doutor.
Os dois homens separaram-se. José Soares dirigiu-se para o
exterior. O sol brilhava intensamente e começava a aquecer depois de um inverno
extraordinariamente rigoroso. Octávio Mesquita caminhava devagar em direcção à
estufa. Tinha que pensar bem na estratégia a seguir. Essencialmente deveria
concentrar-se na sua posição. Não podia de forma alguma cometer qualquer
deslize que o descredibilizasse perante o Presidente. O segredo residia na
maneira como daria a notícia. Olhou para o relógio. Onze e meia. A visita das
alunas da escola alemã estava quase a terminar, mas era conhecido que o Professor
se entusiasmava com aquela cena da agricultura e perdia a noção do tempo.
Talvez se tivesse perdido um excelente agricultor. E em vez disso surgiu um
político de qualidade duvidosa. Tentou afastar esses pensamentos perigosos. Os
livros que andava a ler sobre autoconhecimento traiam-no em alturas críticas.
Mas a verdade é que todos aqueles que se tornam naquilo que não são ficam
sempre a perder. Esperou um pouco mais. Talvez não fosse bom interromper aquela
autêntica aula sobre a melhor forma de plantar uma árvore contra o vento.
Olhou de novo para o relógio. O Presidente tinha uma agenda
apertada naquela quinta-feira. O almoço seria servido perto da uma, depois
havia o repouso de meia hora na sala azul, ouvindo Bach. A primeira-dama não
estava, felizmente. Tudo se complicava quando ela se intrometia na agenda
oficial. Fora ao Algarve passar dois dias na casa de praia que acabara de ser
entregue.
“Mesmo a tempo da visita da princesa do Mónaco, no início do
verão” - dissera, quando recebeu a confirmação do construtor.
Às quinze horas chegava o novo embaixador do Burundi para
apresentar cumprimentos e credenciais e pelas dezassete chegava o
primeiro-ministro para a reunião semanal. Não se podia esquecer de lhe dar uma
palavrinha. Recordar-lhe a promessa feita de o guindar a uma posição de relevo
na hierarquia partidária. Era evidente que o primeiro-ministro apostara tudo na
Europa durante a sua legislatura, não se importando de ficar queimado no país.
A mensagem era simples: quem vier atrás que feche a porta. Passaria uns anos
como dirigente algures na Europa, em Bruxelas onde poderia seguir as pisadas do
Presidente da Comissão. Passaria então a defender os ideais de progresso, seria
uma voz portuguesa no mundo civilizado, e com sorte, passado o tempo necessário
para atingir a moralidade, surgiria como candidato natural a Belém.
“A memória de facto é muito curta e tudo pode ser
desmentido” - pensou, imaginando-se já na pele de futuro primeiro-ministro.
O movimento no exterior libertou-o dessas cogitações e
devolveu-o à realidade. Saiu da estufa e com o seu melhor sorriso dirigiu-se
para o exterior. Cumprimentou efusivamente a elegante Professora alemã, a quem
depositou dois beijos pouco protocolares, cumprimentou o engenheiro italiano
com movimentos amplos de mãos tão ao gosto transalpino e por fim deu os
parabéns reverenciais ao Presidente, que não cabia em si de contente. Limpava
as mãos a um pano perfumado que um dos jardineiros lhe entregou e foi com um
largo sorriso nos lábios que expressou o que lhe ia na alma. Via-se que gostava
daqueles encontros na natureza. Já o seu semblante se fechava nas reuniões
políticas e nas receções protocolares.
- Sabe como é, Mesquita. Quando se tem o bichinho da terra
no corpo…
- Muito mais agradável que estar fechado num gabinete -
atreveu-se Octávio.
- Nem me fale nisso meu rapaz. Se quer um conselho, nunca se
meta nisto.
As despedidas foram feitas já no interior da estufa, onde
uma secretária presidencial oferecia aos jovens visitantes e à sua Professora
uma lembrança presidencial.
Um último adeus, ainda com o sorriso protocolar, e por fim
ficaram sós.
- Que temos agora, Octávio? - pergunta o Presidente, ainda
com um vago sorriso estampado no rosto.
- Uma visita inesperada, senhor Professor.
- Sabe bem que detesto surpresas, Mesquita. O programa tem
que ser previamente aprovado, como sabe.
- Permito-me aconselhá-lo a abrir uma exceção, senhor Presidente.
Com o devido respeito.
- E quem é essa visita surpresa? Algum familiar, presumo, a
pedir algum favor.
- Não, senhor Presidente. Pedia-lhe que verificasse por si
mesmo. Está na sala das visitas sociais inesperadas, com o doutor Godinho.
O Presidente olha para o relógio de pulso e decide que ainda
tem alguns minutos. Precisava de se refrescar, passar a água pelo rosto, voltar
a pentear-se.
- Que falta que a minha mulher faz aqui. Mandava-a receber
essa visita em meu lugar. É para isso que serve a primeira-dama - graceja.
Depois recompõe-se e coloca a máscara de primeiro
magistrado. O Presidente abandonara definitivamente o papel do camponês e
assumira a postura do homem de estado que nunca se engana e raramente tem
dúvidas.
- Acha mesmo que devo perder tempo? Olhe que fica à sua
responsabilidade, doutor Mesquita.
- Sinto que devo correr esse risco, senhor Presidente.
Sem comentários:
Enviar um comentário