De repente o céu encheu-se de nuvens negras tapando
completamente o sol e começou a fazer um frio de rachar.
Era coisa pouco
habitual na cidade, e por isso a vizinhança veio toda para a rua ver aquele
estranho fenómeno, tecendo as mais variadas explicações.
Aurora ia
explorando uma teoria de carácter divino enquanto ajeitava o lenço preto na
cabeça.
“Isto é castigo
de Deus por causa das pouca-vergonhas dos homens”, dizia alto e bom som à
esquina da oficina do marido que era bastante crítico das explicações esotéricas
da esposa que invariavelmente tentavam atingi-lo de forma indirecta.
“Lá está aquela
mulher a invocar o nome de Deus em vão para me atingir”, dizia o Francisco, entre
dentes, para o Raul, o bate-chapa, que olhava para o céu com um ar intrigado e
depois se atreveu a proferir:
“Acho que vai
nevar”!
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